eu sempre fico pensando que
se eu agir assim
ele não vai mais gostar de mim
mas será que ele pensa
que se agir assim
eu não vou mais?
a netuno
terça-feira, 2 de outubro de 2018
quinta-feira, 21 de junho de 2018
o kira escolheu morrer no centro do aquário.
em frente ao adorno azul que eu comprei pra ele
o seu corpo estava virado para cima
pude ver as guelras abertas e pálidas,
eu não sei desde quando ele estava ali
porque quando levantei, não olhei para o aquário.
o meu bisavô morreu a caminho do hospital.
disseram que ele não queria deixar meu tio dirigir
que queria que o carro parasse
ele sempre dizia que estava ficando melhor,
mas na hora de ir, ele deu o primeiro passo.
minha morte é moeda de barganha
quando o elevador começou a correr para o fosso,
eu lembrei sobre o que o marcio tinha dito sobre deitar no chão
eu não deitei,
mas quando o elevador parou no andar errado,
eu não voltei pra ele.
em frente ao adorno azul que eu comprei pra ele
o seu corpo estava virado para cima
pude ver as guelras abertas e pálidas,
eu não sei desde quando ele estava ali
porque quando levantei, não olhei para o aquário.
o meu bisavô morreu a caminho do hospital.
disseram que ele não queria deixar meu tio dirigir
que queria que o carro parasse
ele sempre dizia que estava ficando melhor,
mas na hora de ir, ele deu o primeiro passo.
minha morte é moeda de barganha
quando o elevador começou a correr para o fosso,
eu lembrei sobre o que o marcio tinha dito sobre deitar no chão
eu não deitei,
mas quando o elevador parou no andar errado,
eu não voltei pra ele.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
nunca gostei de pisar em flores molhadas
o asfalto de chuva me acompanha nos momentos frios
e quentes
nunca nos mornos, onde eu retorno e pego o atalho mais rápido
pra casa.
ultimamente minha casa tem sido nas coisas,
o chão brilhoso,
nas flores mortas,
no jeito que você enche meus lábios com os teus.
meus momentos de loucura eu doso com um conta gotas,
te enveneno aos poucos,
até te levar para a histeria
emplacando uma epidemia digna de pânico geral
minha calma é incrível quando olho nos teus olhos encharcados.
minha frieza de responsabilidade por você é admirável.
o meu pior erro é achar que tudo está ao alcance das minhas mãos.
o asfalto de chuva me acompanha nos momentos frios
e quentes
nunca nos mornos, onde eu retorno e pego o atalho mais rápido
pra casa.
ultimamente minha casa tem sido nas coisas,
o chão brilhoso,
nas flores mortas,
no jeito que você enche meus lábios com os teus.
meus momentos de loucura eu doso com um conta gotas,
te enveneno aos poucos,
até te levar para a histeria
emplacando uma epidemia digna de pânico geral
minha calma é incrível quando olho nos teus olhos encharcados.
minha frieza de responsabilidade por você é admirável.
o meu pior erro é achar que tudo está ao alcance das minhas mãos.
domingo, 28 de janeiro de 2018
terça-feira, 28 de novembro de 2017
lições de afogamento 2
tenho muitos papéis guardados
de muitos que já fui, estou sendo, ainda vou ser
um diferente do outro, eles,
que fluem e são transparentes como água raz,
inflamáveis,
alérgicos,
doentes e constantes,
constantes demais.
eu não sei mais mudar.
a água que cai do céu e enche o rio de frente de casa
cheia que não transborda nunca, como meu peito atolado
de lixo preso às pedras do fundo do lago.
os papéis, quase amarelados,
que eu prometi jogar nesse rio que corre todo dia com a pressa dos atrasados
continuam no fundo do meu armário com todos os segredos que não
não consigo repetir nem pra mim mesma.
eu prometi fluir,
pra mim mesma, eu prometi me limpar
mas só me afogo
e repito aquelas lições que aprendi tão bem,
não me vejo em nada
me perdi em tudo
não sei mais escrever sobre mim e o pior,
não sei quem é você.
do que me cerco, de que me certifico?
se me enredei nas redes que procuram sereias no mar,
e meu encanto só serve pra atrair mais lixo pra fundo dele.
o tempo que não passa continua plano
imóvel.
minha unha que ainda não cresceu, a poeira que se acumula no quarto, o aquário a ser lavado
eu parei.
mercúrio me esqueceu.
sinto que o tempo todo o que foi passado e o que é futuro está aqui como se o presente fosse carta manchada.
frases longas me irritam,
fases longas me irritam,
passes para um novo começo, me irritam.
tudo cheira a mofo e minha rinite insiste em atacar logo às 7h15 da manhã.
eu logo pro relógio e ele zomba de mim,
o calendário não faz sentido,
os números eu já não sei assimilar,
a dor nos ossos
a dor nas feridas dos dedos,
a dor de ver que tanta gente vai continuar sofrendo e eu não posso fazer nada.
talvez eu não -sinta pré-sinta preveja- nada
talvez você fosse ridiculamente clichê desde o início
e eu só te quis porque a minha caneta está gasta e eu não tenho nenhum papel pra escrever.
de muitos que já fui, estou sendo, ainda vou ser
um diferente do outro, eles,
que fluem e são transparentes como água raz,
inflamáveis,
alérgicos,
doentes e constantes,
constantes demais.
eu não sei mais mudar.
a água que cai do céu e enche o rio de frente de casa
cheia que não transborda nunca, como meu peito atolado
de lixo preso às pedras do fundo do lago.
os papéis, quase amarelados,
que eu prometi jogar nesse rio que corre todo dia com a pressa dos atrasados
continuam no fundo do meu armário com todos os segredos que não
não consigo repetir nem pra mim mesma.
eu prometi fluir,
pra mim mesma, eu prometi me limpar
mas só me afogo
e repito aquelas lições que aprendi tão bem,
não me vejo em nada
me perdi em tudo
não sei mais escrever sobre mim e o pior,
não sei quem é você.
do que me cerco, de que me certifico?
se me enredei nas redes que procuram sereias no mar,
e meu encanto só serve pra atrair mais lixo pra fundo dele.
o tempo que não passa continua plano
imóvel.
minha unha que ainda não cresceu, a poeira que se acumula no quarto, o aquário a ser lavado
eu parei.
mercúrio me esqueceu.
sinto que o tempo todo o que foi passado e o que é futuro está aqui como se o presente fosse carta manchada.
frases longas me irritam,
fases longas me irritam,
passes para um novo começo, me irritam.
tudo cheira a mofo e minha rinite insiste em atacar logo às 7h15 da manhã.
eu logo pro relógio e ele zomba de mim,
o calendário não faz sentido,
os números eu já não sei assimilar,
a dor nos ossos
a dor nas feridas dos dedos,
a dor de ver que tanta gente vai continuar sofrendo e eu não posso fazer nada.
talvez eu não -sinta pré-sinta preveja- nada
talvez você fosse ridiculamente clichê desde o início
e eu só te quis porque a minha caneta está gasta e eu não tenho nenhum papel pra escrever.
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