terça-feira, 28 de novembro de 2017
lições de afogamento 2
tenho muitos papéis guardados
de muitos que já fui, estou sendo, ainda vou ser
um diferente do outro, eles,
que fluem e são transparentes como água raz,
inflamáveis,
alérgicos,
doentes e constantes,
constantes demais.
eu não sei mais mudar.
a água que cai do céu e enche o rio de frente de casa
cheia que não transborda nunca, como meu peito atolado
de lixo preso às pedras do fundo do lago.
os papéis, quase amarelados,
que eu prometi jogar nesse rio que corre todo dia com a pressa dos atrasados
continuam no fundo do meu armário com todos os segredos que não
não consigo repetir nem pra mim mesma.
eu prometi fluir,
pra mim mesma, eu prometi me limpar
mas só me afogo
e repito aquelas lições que aprendi tão bem,
não me vejo em nada
me perdi em tudo
não sei mais escrever sobre mim e o pior,
não sei quem é você.
do que me cerco, de que me certifico?
se me enredei nas redes que procuram sereias no mar,
e meu encanto só serve pra atrair mais lixo pra fundo dele.
o tempo que não passa continua plano
imóvel.
minha unha que ainda não cresceu, a poeira que se acumula no quarto, o aquário a ser lavado
eu parei.
mercúrio me esqueceu.
sinto que o tempo todo o que foi passado e o que é futuro está aqui como se o presente fosse carta manchada.
frases longas me irritam,
fases longas me irritam,
passes para um novo começo, me irritam.
tudo cheira a mofo e minha rinite insiste em atacar logo às 7h15 da manhã.
eu logo pro relógio e ele zomba de mim,
o calendário não faz sentido,
os números eu já não sei assimilar,
a dor nos ossos
a dor nas feridas dos dedos,
a dor de ver que tanta gente vai continuar sofrendo e eu não posso fazer nada.
talvez eu não -sinta pré-sinta preveja- nada
talvez você fosse ridiculamente clichê desde o início
e eu só te quis porque a minha caneta está gasta e eu não tenho nenhum papel pra escrever.
de muitos que já fui, estou sendo, ainda vou ser
um diferente do outro, eles,
que fluem e são transparentes como água raz,
inflamáveis,
alérgicos,
doentes e constantes,
constantes demais.
eu não sei mais mudar.
a água que cai do céu e enche o rio de frente de casa
cheia que não transborda nunca, como meu peito atolado
de lixo preso às pedras do fundo do lago.
os papéis, quase amarelados,
que eu prometi jogar nesse rio que corre todo dia com a pressa dos atrasados
continuam no fundo do meu armário com todos os segredos que não
não consigo repetir nem pra mim mesma.
eu prometi fluir,
pra mim mesma, eu prometi me limpar
mas só me afogo
e repito aquelas lições que aprendi tão bem,
não me vejo em nada
me perdi em tudo
não sei mais escrever sobre mim e o pior,
não sei quem é você.
do que me cerco, de que me certifico?
se me enredei nas redes que procuram sereias no mar,
e meu encanto só serve pra atrair mais lixo pra fundo dele.
o tempo que não passa continua plano
imóvel.
minha unha que ainda não cresceu, a poeira que se acumula no quarto, o aquário a ser lavado
eu parei.
mercúrio me esqueceu.
sinto que o tempo todo o que foi passado e o que é futuro está aqui como se o presente fosse carta manchada.
frases longas me irritam,
fases longas me irritam,
passes para um novo começo, me irritam.
tudo cheira a mofo e minha rinite insiste em atacar logo às 7h15 da manhã.
eu logo pro relógio e ele zomba de mim,
o calendário não faz sentido,
os números eu já não sei assimilar,
a dor nos ossos
a dor nas feridas dos dedos,
a dor de ver que tanta gente vai continuar sofrendo e eu não posso fazer nada.
talvez eu não -sinta pré-sinta preveja- nada
talvez você fosse ridiculamente clichê desde o início
e eu só te quis porque a minha caneta está gasta e eu não tenho nenhum papel pra escrever.
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