segunda-feira, 7 de novembro de 2016

eu não deveria me importar com,
você escutando essas letras de músicas tristes

cantando elas com sua voz craquelada, com suas unhas afiadas na garganta
(porque é só você mesmo que se prende)

eu não deveria, porque
você com certeza não aprende nada com elas, e provavelmente nunca vai

e eu nem deveria me preocupar com seu choro,
velando uma morta desconhecida,
uma que não montou na sua bike, nem transou contigo na luz da manhã

não era ela, não é por ela que você chora.

talvez todos nós devêssemos fazer um enterro digno para ela,
só não sei se ela iria preferir rosas vermelhas ou azuis.

um enterro na sua casa, um enterro no seu peito,
enquanto eu vou flutuando pelo rio sujo, vendo o fogo queimar meu corpo imundo

talvez um dia eu pare de chorar por ela também.
quem sabe, algum dia, eu consiga chegar lá e sim, virar ela.

mas eu vou estar velha, e o vermes vão estar consumindo cada pedaço da minha carne até deixar só a cabeça,
dura,
que vai bater na porta do caixão quando eu der um tranco de tanto susto
de ter virado ela.

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