segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Andei pelo frio, alguma coisa agarrando minhas pernas,
me prendendo ao chão como uma raiz forte de gosto ruim.
Eu não ligo, eu sou livre, eu vou para onde eu quiser; eu deslizo por esse gelo (eu estou sujando essas meias que são felpudas e coloridas)
Eu me liberto, na cozinha:
Mas está mais frio aqui do que lá. E por um momento eu não me recordo onde estava. Por um momento eu nem me lembro onde eu estava antes.
E por isso mesmo, que agora me vez essa dúvida.
De onde eu sou mesmo? De lá ou de cá.
Eu odeio dias frios. Eu não quero me mexer, eu não consigo me mexer.
E neste instante, eu juro, neste instante em que peguei um copo de coca tão gelado quando os azulejos da cozinha

eu era um personagem.

Eu sabia para onde tinha que ir. Eu sabia que tinha uma origem, que tinha um lugar, que tinha um nome e uma data.

Que eu tinha um final.

eu não sei se meu final era feliz, porque enquanto eu esperava meu autor me escrever, a sensação tinha acabado.

E eu tive que voltar para lugar nenhum.

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