Eu odeio quando as pessoas não olham pra mim. Odeio quando por mais que eu fale alto, suba em cima da mesa, coloque uma melancia em cima da cabeça, as pessoas me tratem com indiferença. Isso faz dilacerar qualquer um. Isso me dilacera mais do que qualquer soco na cara, dente quebrado ou ferida suturada. Eu quero que eles me vejam. Quero que eles enxerguem o que eu faço por trás dessas doideiras todas que venho fazendo. Eu não vou durar muito. Não é como se tivesse alguém para me fazer durar tempo o bastante pra crescer barba na minha cara. Simplesmente não dá. Eu vou até onde o acaso me levar. O meu fatalismo fica agudo demais em dias frios. Eu começo vestindo máscaras e acabou com elas grudadas a face. Eu queria ter sido o Fernando Pessoa, e ter tido uma Ophelia pra chamar de Bebé.
Coisas azuis, estrelas, água e peixinhos.
Eu estou tentando. Eu estou tentando ficar calma, e vem isso. Isso. Essa vontade latente de autodestruição (me salve da minha autodestruição).
Eu quero que alguém me escute.
Mas não quero que ninguém leia isso.
Não é doideira demais? Eu quero ir embora daqui. Não quero ver ninguém mais. Eu sinto falta de escrever no papel, mas está escuro demais e eu estou com preguiça de me mover. Estou com preguiça de digitar.
Eu deveria procurar um terapeuta.
Terapeuta não é coisa de gente doida, e eu tenho quase certeza que eu sou.
Ninguém realmente se importa. Nem eu me importo. Minha vontade não chega ser tão grande a ponto de FAZER alguma coisa.
Eu só fico me dilaçerando mentalmente, e eu queria que todo mundo que serve de corretor ortográfico na minha vida se fode-se. Eu não quero ouvir ninguém, eu só quero ver filmes. Eu não quero mais escrever. Isso é difícil demais pra mim. Isso acaba comigo.
Dá pra me entender?
Não sei como fazer mais isso.
Eu tô pilhada demais.
Eu já não sei o que eu faço devo ou preciso fazer.
Acho que o fazer é demais, eu só quero dormir.
É anêmia,
Falta de serotonina e anêmia.
(Anemia é sem acento, mas eu troco a pronuncia de algumas palavras em português pela pronuncia em espanhol. Posso contar isso como vantagem?)
Eu não quero saber o que um médico acha sobre isso, mas tenho certeza que gostaria de ser tão prática como uma pílula.
Tenho que prescrever minhas restrições, e por isso, vou ensaiando a bula da minha caixinha pro resto da noite, ou da manhã;
Eu não gosto de dias claros demais, tampouco gosto de dias chuvosos,
A chuva amortece meu corpo, me deixa mole. Eu sou prática, já te falei isso, então, eu sei muito bem que chuva não lava a porra de alma de ninguém;
E aposto que esse negócio de alma nem existe.
Eu tô pouco me fodendo pro que esses filósofos falam.
Nada disso se aplica a você ou a mim; a gente bem sabe que quando temos que botar o joelho pra ralar no asfalto é bem diferente.
Peguei um frasco de alguma coisa verde clara lá na dispensa. Escuta, esse negócio é veneno. Você sabe o que o veneno faz com as pessoas? Intoxica (essa palavra tem ritmo, guarda essa palavra pra mais tarde).
Adoecer mais do que eu já estou, não vale. Vamos fazer algo plausível. Vamos envenenar o que tiver por perto. Um brinde, porque comigo não tem essa! Se estiver perto demais, meu amigo, vai se afogar junto comigo.
(Você já leu as Lições de Afogamento?)
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