no meu armário eu guardo um milhão de coisas
de um passado que eu não quero revisitar.
um milhão de palavras, um milhão de pétalas de flores
aquelas flores que ficaram velhas, que perderam seu perfume
que deram espaço a pequenos insetos que ainda mastigam suas fibras.
milhares de rostos; ah, tantas máscaras
sem elas, agora, eu me sinto mais desprotegida do que nunca
sem desculpas,
sem exageros,
sem interpretações.
ah, garoto, se você soubesse metade do que está escrito naqueles cadernos
você não iria mais sorrir pra mim.
e o meu medo das coisas que eu tenho medo cresce
de acordo com o silêncio da madrugada.
nunca me senti tão sozinha nelas,
desde que el(x) foi embora.
não sinto falta de quase nada,
o que me restaram foram às sensações
muitas vezes desagradáveis, algumas das quais eu lembro
de não ter conseguido lutar contra.
o frio do chuveiro reverso, o cheiro de cigarro
o mesmo.
engraçado. o mesmo.
agora eu gosto desse sabor,
eu espero por ele como espero pela noite acabar, como em um filme de terror
em que o período em que o monstro ataca é limitado,
mas intenso.
minha necessidade de descobrir o mistério das coisas me fez virar uma maníaca
uma busca que eu não sei mais acalmar pela falta do que fazer.
antes eu fazia tanta coisa nessas madrugadas, recheava minha cabeça com fantasias,
instigava cada parte sórdida da minha psique,
e agora eu sinto que eu sou pouca.
não sou mais beavis, não sou mais elizabeth, não sou mais... eu não consigo
nem lembrar o nome deles.
meus vazios se preenchem,
a cada dia eles vão se enchendo de sensações novas,
de flores e mares,
coisas que só o sol pode me dar.
a lua continua me odiando.
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