hoje eu não sei quais são meus sonhos,
quando eu era menor, eu tinha certeza que eu queria ser cantora.
uma cantora que iria cantar em planetas distantes, para alienígenas de aparência humana.
depois eu entendi que o meu dom era escrever.
quando eu entendi que dom não serve para nada, eu parei de sonhar.
minha rotina virou um grande vazio de talvez, de tanto faz, pode ser.
é engraçado como as coisas podem estar maravilhosas em um dia e no outro
desmoronarem completamente
eu prometi a mim mesma que meu egoísmo não ia machucar mais ninguém
eu prometi a mim mesma que não ia prender mais ninguém
e agora eu sei como aquela pessoa se sentiu, e talvez isso seja um castigo.
talvez seja a maldição de cipriano vindo me buscar.
no mesmo momento eu tento sabotar tudo,
fingir que ele não gosta de mim de verdade, lembrar que eu sou a que
-nunca vai conseguir fazer algo-
pensar que aquele carinho e olhar são pra outra pessoa.
fica difícil não segurar sua mão e
lembrar que para escrever, basta eu estar apaixonada.
talvez isso seja suficiente.
talvez eu não precise de mais nada.
eu agradeço pelo tempo que eu nem sei se vai acabar,
só me desculpe por não conseguir dizer direito que de todas as minhas inseguranças,
você é a única certeza.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
golpe de sorte
no meu armário eu guardo um milhão de coisas
de um passado que eu não quero revisitar.
um milhão de palavras, um milhão de pétalas de flores
aquelas flores que ficaram velhas, que perderam seu perfume
que deram espaço a pequenos insetos que ainda mastigam suas fibras.
milhares de rostos; ah, tantas máscaras
sem elas, agora, eu me sinto mais desprotegida do que nunca
sem desculpas,
sem exageros,
sem interpretações.
ah, garoto, se você soubesse metade do que está escrito naqueles cadernos
você não iria mais sorrir pra mim.
e o meu medo das coisas que eu tenho medo cresce
de acordo com o silêncio da madrugada.
nunca me senti tão sozinha nelas,
desde que el(x) foi embora.
não sinto falta de quase nada,
o que me restaram foram às sensações
muitas vezes desagradáveis, algumas das quais eu lembro
de não ter conseguido lutar contra.
o frio do chuveiro reverso, o cheiro de cigarro
o mesmo.
engraçado. o mesmo.
agora eu gosto desse sabor,
eu espero por ele como espero pela noite acabar, como em um filme de terror
em que o período em que o monstro ataca é limitado,
mas intenso.
minha necessidade de descobrir o mistério das coisas me fez virar uma maníaca
uma busca que eu não sei mais acalmar pela falta do que fazer.
antes eu fazia tanta coisa nessas madrugadas, recheava minha cabeça com fantasias,
instigava cada parte sórdida da minha psique,
e agora eu sinto que eu sou pouca.
não sou mais beavis, não sou mais elizabeth, não sou mais... eu não consigo
nem lembrar o nome deles.
meus vazios se preenchem,
a cada dia eles vão se enchendo de sensações novas,
de flores e mares,
coisas que só o sol pode me dar.
a lua continua me odiando.
de um passado que eu não quero revisitar.
um milhão de palavras, um milhão de pétalas de flores
aquelas flores que ficaram velhas, que perderam seu perfume
que deram espaço a pequenos insetos que ainda mastigam suas fibras.
milhares de rostos; ah, tantas máscaras
sem elas, agora, eu me sinto mais desprotegida do que nunca
sem desculpas,
sem exageros,
sem interpretações.
ah, garoto, se você soubesse metade do que está escrito naqueles cadernos
você não iria mais sorrir pra mim.
e o meu medo das coisas que eu tenho medo cresce
de acordo com o silêncio da madrugada.
nunca me senti tão sozinha nelas,
desde que el(x) foi embora.
não sinto falta de quase nada,
o que me restaram foram às sensações
muitas vezes desagradáveis, algumas das quais eu lembro
de não ter conseguido lutar contra.
o frio do chuveiro reverso, o cheiro de cigarro
o mesmo.
engraçado. o mesmo.
agora eu gosto desse sabor,
eu espero por ele como espero pela noite acabar, como em um filme de terror
em que o período em que o monstro ataca é limitado,
mas intenso.
minha necessidade de descobrir o mistério das coisas me fez virar uma maníaca
uma busca que eu não sei mais acalmar pela falta do que fazer.
antes eu fazia tanta coisa nessas madrugadas, recheava minha cabeça com fantasias,
instigava cada parte sórdida da minha psique,
e agora eu sinto que eu sou pouca.
não sou mais beavis, não sou mais elizabeth, não sou mais... eu não consigo
nem lembrar o nome deles.
meus vazios se preenchem,
a cada dia eles vão se enchendo de sensações novas,
de flores e mares,
coisas que só o sol pode me dar.
a lua continua me odiando.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
F.T.W! Capítulo 1: Fuck The Wail
Sem dúvidas, a vida é sem graça para um suicida fracassado. Porque,
claro, o principal objetivo dessas pessoas é necessariamente não ter uma
vida. Mas os que tentaram pular do maior edifício do mundo, no dia em
que aconteceu o maior atentado terrorista já visto, e, por ironia de
algum Deus filho da puta, sobreviveram, ah, esses vivem os dias mais
desgraçados. Agora Gerard tem a obrigação de continuar vivo, mesmo tendo
cada vez mais motivos para querer apagar sua existência. Tudo que cerca
sua gelada cama de hospital é o medo vendido na TV e as palavras
descartáveis de esperança vindas de rostos desconhecidos, que realmente
não se importam com o que se está passando em sua cabeça. Ele só não
esperava conhecer a pessoa que vai mudar sua concepção de mundo e de
vida justamente naquele hospital depreciativo. Frank, o adolescente punk
de cabelos de fogo se encarregará de leva-lo até o fim do mundo, onde
estar vivo ou morto é de ínfima importância.
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