desde que começou este verão,
você tem estado comigo em todas as chuvas
agora é noite, chove
e eu me sinto sozinha.
quero que o vendaval me leve até você
pra eu poder te abraçar mais uma vez
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
eu não deveria me importar com,
você escutando essas letras de músicas tristes
cantando elas com sua voz craquelada, com suas unhas afiadas na garganta
(porque é só você mesmo que se prende)
eu não deveria, porque
você com certeza não aprende nada com elas, e provavelmente nunca vai
e eu nem deveria me preocupar com seu choro,
velando uma morta desconhecida,
uma que não montou na sua bike, nem transou contigo na luz da manhã
não era ela, não é por ela que você chora.
talvez todos nós devêssemos fazer um enterro digno para ela,
só não sei se ela iria preferir rosas vermelhas ou azuis.
um enterro na sua casa, um enterro no seu peito,
enquanto eu vou flutuando pelo rio sujo, vendo o fogo queimar meu corpo imundo
talvez um dia eu pare de chorar por ela também.
quem sabe, algum dia, eu consiga chegar lá e sim, virar ela.
mas eu vou estar velha, e o vermes vão estar consumindo cada pedaço da minha carne até deixar só a cabeça,
dura,
que vai bater na porta do caixão quando eu der um tranco de tanto susto
de ter virado ela.
você escutando essas letras de músicas tristes
cantando elas com sua voz craquelada, com suas unhas afiadas na garganta
(porque é só você mesmo que se prende)
eu não deveria, porque
você com certeza não aprende nada com elas, e provavelmente nunca vai
e eu nem deveria me preocupar com seu choro,
velando uma morta desconhecida,
uma que não montou na sua bike, nem transou contigo na luz da manhã
não era ela, não é por ela que você chora.
talvez todos nós devêssemos fazer um enterro digno para ela,
só não sei se ela iria preferir rosas vermelhas ou azuis.
um enterro na sua casa, um enterro no seu peito,
enquanto eu vou flutuando pelo rio sujo, vendo o fogo queimar meu corpo imundo
talvez um dia eu pare de chorar por ela também.
quem sabe, algum dia, eu consiga chegar lá e sim, virar ela.
mas eu vou estar velha, e o vermes vão estar consumindo cada pedaço da minha carne até deixar só a cabeça,
dura,
que vai bater na porta do caixão quando eu der um tranco de tanto susto
de ter virado ela.
nesse vai-e-vem de gente e não-pessoa,
cheiro de café e cigarro,
gasolina e chuva
molha e humilha
cada olhar atravessado
vento gelado, que eu não tô ao teu lado
eu me sinto ________
pesado, escalado
pedido almejado
transcrito e baixo
eu corro sem pernas,
eu sonho sem quedas,
eu durmo e não acordo
podre e sem ombro,
eu me assombro
de fé e de terra,
eu te digo, morena,
passa a pequena
niilismo de esquina,
coquetel de aspirina,
afogue sem rima,
caligrafia sem tinta.
Bukowski diz que a única coisa que impede um escritor de escrever é ele mesmo.
Então, eu acho, que por todos esses poucos anos eu estava apenas forjando um papel cinematográfico.
Eu espero que usem bem os planos e sequências, de uma maneira peculiar e cinzenta, não quero meu nome nos créditos, faço parte da película.
Pintaram as paredes da rodoviária. Não tinha percebi que este lugar era vermelho.
Fico imaginando desde quando aquilo havia virado laranja empoeirado.
Gente que precisa falar com outras pessoas sempre senta do meu lado no ônibus. Eu só quero ouvir música.
Na real eu só quero não escutar.
O mendigo perguntou se eu podia inteirar sua condição. Por um segundo achei que ele queria me mostrar o pau dele. E isso me pareceu mais louvável que pedir dinheiro para a passagem.
O fósforo jogado no chão me lembrou que a chama que ferve em minha cabeça vai se apagar e eu vou ser descartada.
Não quero versos rimados nem analogias sentidas.
Eu quero compor música. Compor música ia resolver metade dos meus problemas.
Então, eu acho, que por todos esses poucos anos eu estava apenas forjando um papel cinematográfico.
Eu espero que usem bem os planos e sequências, de uma maneira peculiar e cinzenta, não quero meu nome nos créditos, faço parte da película.
Pintaram as paredes da rodoviária. Não tinha percebi que este lugar era vermelho.
Fico imaginando desde quando aquilo havia virado laranja empoeirado.
Gente que precisa falar com outras pessoas sempre senta do meu lado no ônibus. Eu só quero ouvir música.
Na real eu só quero não escutar.
O mendigo perguntou se eu podia inteirar sua condição. Por um segundo achei que ele queria me mostrar o pau dele. E isso me pareceu mais louvável que pedir dinheiro para a passagem.
O fósforo jogado no chão me lembrou que a chama que ferve em minha cabeça vai se apagar e eu vou ser descartada.
Não quero versos rimados nem analogias sentidas.
Eu quero compor música. Compor música ia resolver metade dos meus problemas.
Tem dias que eu acordo em uma música do Smiths
Creio que meu parentesco é mais evidente que o vento gelado que me da uma desculpa para não escrever nesses papéis gelados
Será que você vai gostar do que eu escrevi?
Eu continuo procurando lugares e criando situações para ficar sozinha
Eu acho que vou amar morrer só
Descobri que as manhãs são como segundas-feiras, só que ensolaradas
Procurei o sentido do sol e o porque dele estar tão apagado
Tudo por causa da minha distância de casa
Eu queria morar em uma rodoviária
Quem sabe até, em um desses barcos
Talvez estejamos tentando nos manter longe de tudo mutuamente
Como se não houvesse lugar para nos dois
Eu vou continuar fingindo que desenho luas e que escrevo versos rimados
Até que em um sonho, meu querido,
Nos possamos ir a um litoral distante.
Frio e colorido.
Creio que meu parentesco é mais evidente que o vento gelado que me da uma desculpa para não escrever nesses papéis gelados
Será que você vai gostar do que eu escrevi?
Eu continuo procurando lugares e criando situações para ficar sozinha
Eu acho que vou amar morrer só
Descobri que as manhãs são como segundas-feiras, só que ensolaradas
Procurei o sentido do sol e o porque dele estar tão apagado
Tudo por causa da minha distância de casa
Eu queria morar em uma rodoviária
Quem sabe até, em um desses barcos
Talvez estejamos tentando nos manter longe de tudo mutuamente
Como se não houvesse lugar para nos dois
Eu vou continuar fingindo que desenho luas e que escrevo versos rimados
Até que em um sonho, meu querido,
Nos possamos ir a um litoral distante.
Frio e colorido.
slackerbitch
Havia essa garota no Inferno de Pernas Bonitas, a Jennifer. Ela era bem magra, daquelas putas aidéticas que, bem, não se encaixava muito bem no perfil daquele local. Bruce era exigente; sempre foi, ele escolhia suas garotas a dedo. Jennifer era diferente de Gabrielle, por exemplo, que tinha um nome de puta cara, seios fartos e bunda arrebitada, assim como Jane Doe, a ruiva de pele mais branca do que qualquer louça que ela mesma passava horas lustrando. Não, Jennifer era magra, suas costelas apareciam por baixo da roupa justa e mal escolhida, degraus de uma ladeira suja; se tropeçar, você cai, abre uma ferida e contrai gonorreia. Jennifer era nome de puta barata e Jennifer não era barata, ela era cara e perfeita para o Inferno.
Jennifer era uma daquelas ninfomaníacas doidas; ela não usava cristal ou heroína, seus braços eram intactos: pele seca e sem graça, mas nenhum roxo, nenhuma erupção infecciosa; seu vício era apenas um, é, você está certo, era o sexo. O rosto não era de todo feio, ela era uma típica garota americana, ossuda e desengonçada, cabelo loiro natural sem volume e sem brilho, assim como seus olhos azuis, nada de mais nos olhos azuis.
A Lua e o Enforcado - 2
Foi a primeira vez que César pensou em atirar aquele relógio velho pela janela. Foi a primeira vez que ficou com vontade de jogar algo pela janela, na verdade. Estava possesso. Aquele tic-tac já marcava 3 horas. Nada, nenhuma inspiração, nadinha. Parecia que tinha perdido o sentido da vida. Havia chego ao ponto de lamber toda a xícara do chá que havia acabado, como se pudesse achar palavras ali. É, o inédito era que César estava realmente deprimido.
“Talvez uma volta lá fora me traga alguma inspiração…” Suspirou o moreno de traços espanhóis, abrindo a porta do apartamento que lhe pertencia.
- Bea, para de ser chato, vamos comigo!
- Eu já disse que eu não vou. Porra, será que eu vou ter que desenhar pra você entender? Ou gritar? - Inspirou ar nos pulmões e berrou: - EU NÃO VOU, PORRA!
Logo que saiu deu de cara com um loiro mais alto puxando outro para fora do apartamento. Já havia visto aquele cara, o mais baixo. Uma vez ele roubara o leite que havia sido deixado na sua porta. César havia visto tudo através da fechadura e não havia tido coragem para reclamar, afinal, ele parecia um pouco bravo. Como estava agora.
- Meus amigos estão loucos pra te conhecer. Você tem que ir, eu tô mandando. - Engrossou a voz, o loiro que apesar de parecer mais imponente na altura, tinha olhos e mãos gentis. Se notava só pelo jeito de segurar o braço do outro para puxa-lo, o que seria um ato violento se não fosse por aquelas mãos que pareciam ter um toque tão macio. O outro continuava carrancudo, com olhos apertados e dedos de pés descalços cravados no chão.
- E quem disse que EU quero conhecer eles? Um bando de viado, aproveita e dá o cu pra algum deles de uma vez, aposto que eles gozam guache. Imagina? UMA OBRA DE ARTE, SIR THOMAS!
- … isso não faz sentido algum, Beavis. Por favor, eu tô te pedindo, vamos comigo, sim? Eu juro que quando agente voltar eu…
Sir Thomas olhou para os lados antes de completar a frase, e achou o que estava procurando: alguém que pudesse escutar a conversa. Ele corou de imediato, e César faria o mesmo se não estivesse tão concentrado naquela pequena história. Era cotidiana, era banal, era engraçada; ele estava se divertindo.
Beavis permaneceu quieto e quando Thomas finalmente afrouxou o enlace no seu braço, entrou no apartamento e bateu a porta sonoramente. Puderam ouvir o som da chave virando duas vezes, assim, bem trancada. O loiro do lado de fora ficou imóvel por um tempo, deixando de olhar para o vizinho curioso para olhos os próprios sapatos de couro que foram molhados por algumas lágrimas. Saiu correndo dali, como uma donzela.
A Lua e o Enforcado - 1
- Estou dizendo, Bridget, aqueles garotos do 11 são muito estranhos.
- Os dois loiros? Eu sei, Mindy, eu que sei! Só fazem baderna.
- Não diria baderna, Bridget, eu diria mais: eles são coisa perigosa.
- O que quer dizer com isso?
- O mais velho, ele grita com o outro o tempo todo. Sempre escuto discussões, e se quer saber, acho que ele realmente caem no punho.
- Por que os dois brigam tanto se são só estudantes?
- Os dois uma vírgula. Só um deles estuda. Aquele que sempre cumprimenta, sabe? O outro fica em casa e sempre recebe um monte de gente suspeita aí.
- Acho que estou começando a entender essa história, Bridget…
A velha continuaria a fofocar se a porta do apartamento não houvesse sido aberta de súbito com tanta violência. As duas quase foram para trás com o ar que fora atirado contra o corredor daquele cortiço, arregalaram os olhos miúdos de rugas, segurando-se uma na outra.
Era o loiro mais velho. Semi-despido, com um cigarro barato nos lábios e sobrancelhas cerradas. Olhou para as duas que se fizeram de desentendidas, falando sobre o tempo ou qualquer outra coisa torpe. As unhas coçaram o saco, e um pé foi colocado para fora do apartamentinho. Elas olhavam, de esguelha, afinal, não eram só os universitários que infestavam o cortiço que tinham seus segredos: aquelas donas de casa poderiam passar a manhã inteira checando o peitoral de qualquer garoto de no máximo vinte e três anos. William não escaparia daqueles olhares pecaminosos para com sua integridade, que faziam as saias longas tremerem naqueles dias de verão uivante.
- Aquele bastardo pegou meu jornal, Bridget.
- Eu sei. Você repetiu isso umas três vezes. E eu já sabia. Era o seu jornal.
- O que ele pode estar fazendo com ele? … será que…
As velhas pararam por um instante, sentindo aquele fogo que com certeza não era de menopausa ferver no corpo. Engoliram seco e foram resolver isso, não o jornal, mas as gargantas secas, que foram molhadas por um belo chá gelado (ainda que fossem moradoras do albergue mais fétido da cidade, ainda era inglesas, afinal.)
- Os dois loiros? Eu sei, Mindy, eu que sei! Só fazem baderna.
- Não diria baderna, Bridget, eu diria mais: eles são coisa perigosa.
- O que quer dizer com isso?
- O mais velho, ele grita com o outro o tempo todo. Sempre escuto discussões, e se quer saber, acho que ele realmente caem no punho.
- Por que os dois brigam tanto se são só estudantes?
- Os dois uma vírgula. Só um deles estuda. Aquele que sempre cumprimenta, sabe? O outro fica em casa e sempre recebe um monte de gente suspeita aí.
- Acho que estou começando a entender essa história, Bridget…
A velha continuaria a fofocar se a porta do apartamento não houvesse sido aberta de súbito com tanta violência. As duas quase foram para trás com o ar que fora atirado contra o corredor daquele cortiço, arregalaram os olhos miúdos de rugas, segurando-se uma na outra.
Era o loiro mais velho. Semi-despido, com um cigarro barato nos lábios e sobrancelhas cerradas. Olhou para as duas que se fizeram de desentendidas, falando sobre o tempo ou qualquer outra coisa torpe. As unhas coçaram o saco, e um pé foi colocado para fora do apartamentinho. Elas olhavam, de esguelha, afinal, não eram só os universitários que infestavam o cortiço que tinham seus segredos: aquelas donas de casa poderiam passar a manhã inteira checando o peitoral de qualquer garoto de no máximo vinte e três anos. William não escaparia daqueles olhares pecaminosos para com sua integridade, que faziam as saias longas tremerem naqueles dias de verão uivante.
- Aquele bastardo pegou meu jornal, Bridget.
- Eu sei. Você repetiu isso umas três vezes. E eu já sabia. Era o seu jornal.
- O que ele pode estar fazendo com ele? … será que…
As velhas pararam por um instante, sentindo aquele fogo que com certeza não era de menopausa ferver no corpo. Engoliram seco e foram resolver isso, não o jornal, mas as gargantas secas, que foram molhadas por um belo chá gelado (ainda que fossem moradoras do albergue mais fétido da cidade, ainda era inglesas, afinal.)
Acordei com os lábios rachados e com os olhos molhados
Cada parte de mim sabe que estou perdendo o que eu nunca tive
O pedaço de terra que peço com carinho, para a paz em que nunca estive
Reflete a chegada do teu beijo partido
Que deixou meus lábios rachados e
Os olhos estrelados.
Cada parte de mim sabe que estou perdendo o que eu nunca tive
O pedaço de terra que peço com carinho, para a paz em que nunca estive
Reflete a chegada do teu beijo partido
Que deixou meus lábios rachados e
Os olhos estrelados.
Segundo o sol,
Cada sorriso sincero que
chegar sem dar aviso
É uma premissa de que as coisas
podem se realizar.
Todas as palavras que eu perdi no caminho de casa
Bem, um dia eu vou achá-las
mesmo que seja longe de mais
Eu vou reencontra-las.
Mesmo que os versos rimados,
sobre felicidade
estranhos,
raios ultravioleta e
risos de criança
estejam perto demais de um lugar do qual minha
sombra
não chega,
Eu sei que vou chegar
é o mundo conspirando teorias sobre mim
luz do dia que acaba
e sobra de vento gelado.
Esqueça
eu estou com as mãos ocupadas para ir atrás de você
cada passo, cada rua
Eu ainda vou cair nessa rua.
e vai ser como um soco na cara
daqueles que deixa sua cabeça doendo pro resto da semana
e no seu peito, sabe, aquela vontade de partir pra cima
e saber que não dá pra ganhar essa briga
Esqueça
esse era pra ser um poema feliz.
esse era pra ser um poema?
eu, na verdade,
não me importo muito com isso.
Eu quero algo pra me empolgar
Só que me empolgo com tudo por pouco tempo,
só porque acho que algumas coisas não vão voltar.
“estou sentindo que sou ser humana de novo”
Eu te contei: eu sou uma vampira.
não daqueles que tem suas cabeças cortadas, splat, splat, spatter;
Sou uma daquelas que não vai te machucar;
sou uma daquelas de Rice e de conto de gaveta.
Então por que você não chega perto? Vamos;
é um convite.
O sol já está saindo e nós temos que fugir.
Cada sorriso sincero que
chegar sem dar aviso
É uma premissa de que as coisas
podem se realizar.
Todas as palavras que eu perdi no caminho de casa
Bem, um dia eu vou achá-las
mesmo que seja longe de mais
Eu vou reencontra-las.
Mesmo que os versos rimados,
sobre felicidade
estranhos,
raios ultravioleta e
risos de criança
estejam perto demais de um lugar do qual minha
sombra
não chega,
Eu sei que vou chegar
é o mundo conspirando teorias sobre mim
luz do dia que acaba
e sobra de vento gelado.
Esqueça
eu estou com as mãos ocupadas para ir atrás de você
cada passo, cada rua
Eu ainda vou cair nessa rua.
e vai ser como um soco na cara
daqueles que deixa sua cabeça doendo pro resto da semana
e no seu peito, sabe, aquela vontade de partir pra cima
e saber que não dá pra ganhar essa briga
Esqueça
esse era pra ser um poema feliz.
esse era pra ser um poema?
eu, na verdade,
não me importo muito com isso.
Eu quero algo pra me empolgar
Só que me empolgo com tudo por pouco tempo,
só porque acho que algumas coisas não vão voltar.
“estou sentindo que sou ser humana de novo”
Eu te contei: eu sou uma vampira.
não daqueles que tem suas cabeças cortadas, splat, splat, spatter;
Sou uma daquelas que não vai te machucar;
sou uma daquelas de Rice e de conto de gaveta.
Então por que você não chega perto? Vamos;
é um convite.
O sol já está saindo e nós temos que fugir.
estas como dia lunes
hoje eu decidi que sou sintoclimatica.
eu odeio dias frios.
e eu odeio repetir isso nas coisas que escrevo.
nublado, escuro, chovendo, segunda-feira. eu tenho que escapar daqui antes que eles me peguem.
“cuidado com a chuva” - Uma voz agradável diz em outro idioma.
“eu perdi eu perdi eu perdi eu perdi
o medo da chuva.”
e eu acho que não amei nenhuma vez.
“a chuva voltando pra terra trás coisas do ar, aprendi aprendi aprendi (aprendi?) o segredo da vida, vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar.”
besteira. pedra não chora.
hoje é segunda feira e a chuva me atrasou. nada disso teria acontecido se eu tivesse acordado um pouco mais cedo.
eu devia escrever só nas quintas-feiras, mas acho que não passo de terça-feira.
essa chuva vai me fazer derrapar.
eu vou voltar para algum lugar, e
eu acho que sou pedra.
eu queria ter a certeza de que sou algo e do que deixo de ser quando eu quiser, mas eu não sou fiel a mim mesma.
eu nem sei pra onde eu estou indo.
talvez eu saiba quando chegar lá, ou quando eu deixar de vestir pessimismo nas segundas-feiras.
“lunes” “monday”
um dia tão desgraçado não deveria começar com Lua
Lua é um satélite de sábado
eu odeio dias frios.
e eu odeio repetir isso nas coisas que escrevo.
nublado, escuro, chovendo, segunda-feira. eu tenho que escapar daqui antes que eles me peguem.
“cuidado com a chuva” - Uma voz agradável diz em outro idioma.
“eu perdi eu perdi eu perdi eu perdi
o medo da chuva.”
e eu acho que não amei nenhuma vez.
“a chuva voltando pra terra trás coisas do ar, aprendi aprendi aprendi (aprendi?) o segredo da vida, vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar.”
besteira. pedra não chora.
hoje é segunda feira e a chuva me atrasou. nada disso teria acontecido se eu tivesse acordado um pouco mais cedo.
eu devia escrever só nas quintas-feiras, mas acho que não passo de terça-feira.
essa chuva vai me fazer derrapar.
eu vou voltar para algum lugar, e
eu acho que sou pedra.
eu queria ter a certeza de que sou algo e do que deixo de ser quando eu quiser, mas eu não sou fiel a mim mesma.
eu nem sei pra onde eu estou indo.
talvez eu saiba quando chegar lá, ou quando eu deixar de vestir pessimismo nas segundas-feiras.
“lunes” “monday”
um dia tão desgraçado não deveria começar com Lua
Lua é um satélite de sábado
Andei pelo frio, alguma coisa agarrando minhas pernas,
me prendendo ao chão como uma raiz forte de gosto ruim.
Eu não ligo, eu sou livre, eu vou para onde eu quiser; eu deslizo por esse gelo (eu estou sujando essas meias que são felpudas e coloridas)
Eu me liberto, na cozinha:
Mas está mais frio aqui do que lá. E por um momento eu não me recordo onde estava. Por um momento eu nem me lembro onde eu estava antes.
E por isso mesmo, que agora me vez essa dúvida.
De onde eu sou mesmo? De lá ou de cá.
Eu odeio dias frios. Eu não quero me mexer, eu não consigo me mexer.
E neste instante, eu juro, neste instante em que peguei um copo de coca tão gelado quando os azulejos da cozinha
eu era um personagem.
Eu sabia para onde tinha que ir. Eu sabia que tinha uma origem, que tinha um lugar, que tinha um nome e uma data.
Que eu tinha um final.
eu não sei se meu final era feliz, porque enquanto eu esperava meu autor me escrever, a sensação tinha acabado.
E eu tive que voltar para lugar nenhum.
me prendendo ao chão como uma raiz forte de gosto ruim.
Eu não ligo, eu sou livre, eu vou para onde eu quiser; eu deslizo por esse gelo (eu estou sujando essas meias que são felpudas e coloridas)
Eu me liberto, na cozinha:
Mas está mais frio aqui do que lá. E por um momento eu não me recordo onde estava. Por um momento eu nem me lembro onde eu estava antes.
E por isso mesmo, que agora me vez essa dúvida.
De onde eu sou mesmo? De lá ou de cá.
Eu odeio dias frios. Eu não quero me mexer, eu não consigo me mexer.
E neste instante, eu juro, neste instante em que peguei um copo de coca tão gelado quando os azulejos da cozinha
eu era um personagem.
Eu sabia para onde tinha que ir. Eu sabia que tinha uma origem, que tinha um lugar, que tinha um nome e uma data.
Que eu tinha um final.
eu não sei se meu final era feliz, porque enquanto eu esperava meu autor me escrever, a sensação tinha acabado.
E eu tive que voltar para lugar nenhum.
(você já leu as lições de afogamento?)
Eu odeio quando as pessoas não olham pra mim. Odeio quando por mais que eu fale alto, suba em cima da mesa, coloque uma melancia em cima da cabeça, as pessoas me tratem com indiferença. Isso faz dilacerar qualquer um. Isso me dilacera mais do que qualquer soco na cara, dente quebrado ou ferida suturada. Eu quero que eles me vejam. Quero que eles enxerguem o que eu faço por trás dessas doideiras todas que venho fazendo. Eu não vou durar muito. Não é como se tivesse alguém para me fazer durar tempo o bastante pra crescer barba na minha cara. Simplesmente não dá. Eu vou até onde o acaso me levar. O meu fatalismo fica agudo demais em dias frios. Eu começo vestindo máscaras e acabou com elas grudadas a face. Eu queria ter sido o Fernando Pessoa, e ter tido uma Ophelia pra chamar de Bebé.
Coisas azuis, estrelas, água e peixinhos.
Eu estou tentando. Eu estou tentando ficar calma, e vem isso. Isso. Essa vontade latente de autodestruição (me salve da minha autodestruição).
Eu quero que alguém me escute.
Mas não quero que ninguém leia isso.
Não é doideira demais? Eu quero ir embora daqui. Não quero ver ninguém mais. Eu sinto falta de escrever no papel, mas está escuro demais e eu estou com preguiça de me mover. Estou com preguiça de digitar.
Eu deveria procurar um terapeuta.
Terapeuta não é coisa de gente doida, e eu tenho quase certeza que eu sou.
Ninguém realmente se importa. Nem eu me importo. Minha vontade não chega ser tão grande a ponto de FAZER alguma coisa.
Eu só fico me dilaçerando mentalmente, e eu queria que todo mundo que serve de corretor ortográfico na minha vida se fode-se. Eu não quero ouvir ninguém, eu só quero ver filmes. Eu não quero mais escrever. Isso é difícil demais pra mim. Isso acaba comigo.
Dá pra me entender?
Não sei como fazer mais isso.
Eu tô pilhada demais.
Eu já não sei o que eu faço devo ou preciso fazer.
Acho que o fazer é demais, eu só quero dormir.
É anêmia,
Falta de serotonina e anêmia.
(Anemia é sem acento, mas eu troco a pronuncia de algumas palavras em português pela pronuncia em espanhol. Posso contar isso como vantagem?)
Eu não quero saber o que um médico acha sobre isso, mas tenho certeza que gostaria de ser tão prática como uma pílula.
Tenho que prescrever minhas restrições, e por isso, vou ensaiando a bula da minha caixinha pro resto da noite, ou da manhã;
Eu não gosto de dias claros demais, tampouco gosto de dias chuvosos,
A chuva amortece meu corpo, me deixa mole. Eu sou prática, já te falei isso, então, eu sei muito bem que chuva não lava a porra de alma de ninguém;
E aposto que esse negócio de alma nem existe.
Eu tô pouco me fodendo pro que esses filósofos falam.
Nada disso se aplica a você ou a mim; a gente bem sabe que quando temos que botar o joelho pra ralar no asfalto é bem diferente.
Peguei um frasco de alguma coisa verde clara lá na dispensa. Escuta, esse negócio é veneno. Você sabe o que o veneno faz com as pessoas? Intoxica (essa palavra tem ritmo, guarda essa palavra pra mais tarde).
Adoecer mais do que eu já estou, não vale. Vamos fazer algo plausível. Vamos envenenar o que tiver por perto. Um brinde, porque comigo não tem essa! Se estiver perto demais, meu amigo, vai se afogar junto comigo.
(Você já leu as Lições de Afogamento?)
Coisas azuis, estrelas, água e peixinhos.
Eu estou tentando. Eu estou tentando ficar calma, e vem isso. Isso. Essa vontade latente de autodestruição (me salve da minha autodestruição).
Eu quero que alguém me escute.
Mas não quero que ninguém leia isso.
Não é doideira demais? Eu quero ir embora daqui. Não quero ver ninguém mais. Eu sinto falta de escrever no papel, mas está escuro demais e eu estou com preguiça de me mover. Estou com preguiça de digitar.
Eu deveria procurar um terapeuta.
Terapeuta não é coisa de gente doida, e eu tenho quase certeza que eu sou.
Ninguém realmente se importa. Nem eu me importo. Minha vontade não chega ser tão grande a ponto de FAZER alguma coisa.
Eu só fico me dilaçerando mentalmente, e eu queria que todo mundo que serve de corretor ortográfico na minha vida se fode-se. Eu não quero ouvir ninguém, eu só quero ver filmes. Eu não quero mais escrever. Isso é difícil demais pra mim. Isso acaba comigo.
Dá pra me entender?
Não sei como fazer mais isso.
Eu tô pilhada demais.
Eu já não sei o que eu faço devo ou preciso fazer.
Acho que o fazer é demais, eu só quero dormir.
É anêmia,
Falta de serotonina e anêmia.
(Anemia é sem acento, mas eu troco a pronuncia de algumas palavras em português pela pronuncia em espanhol. Posso contar isso como vantagem?)
Eu não quero saber o que um médico acha sobre isso, mas tenho certeza que gostaria de ser tão prática como uma pílula.
Tenho que prescrever minhas restrições, e por isso, vou ensaiando a bula da minha caixinha pro resto da noite, ou da manhã;
Eu não gosto de dias claros demais, tampouco gosto de dias chuvosos,
A chuva amortece meu corpo, me deixa mole. Eu sou prática, já te falei isso, então, eu sei muito bem que chuva não lava a porra de alma de ninguém;
E aposto que esse negócio de alma nem existe.
Eu tô pouco me fodendo pro que esses filósofos falam.
Nada disso se aplica a você ou a mim; a gente bem sabe que quando temos que botar o joelho pra ralar no asfalto é bem diferente.
Peguei um frasco de alguma coisa verde clara lá na dispensa. Escuta, esse negócio é veneno. Você sabe o que o veneno faz com as pessoas? Intoxica (essa palavra tem ritmo, guarda essa palavra pra mais tarde).
Adoecer mais do que eu já estou, não vale. Vamos fazer algo plausível. Vamos envenenar o que tiver por perto. Um brinde, porque comigo não tem essa! Se estiver perto demais, meu amigo, vai se afogar junto comigo.
(Você já leu as Lições de Afogamento?)
Eu percebi que quando namorava, me sentia mais sozinha do que me sinto agora.
Sempre ficava acordada de madrugada no verão.
Ficava na janela, eu e as estrelas, esperando um ser de outro planeta me levar.
Minha mãe me perguntou quanto tempo eu namorei; ela achava que havia sido coisa de um mês.
Foram quase seis.
Quem dera fosse um mês.
Não estou sendo sentimental. Não estou nostalgiando aquele tempo de escola,
Não estou com saudades do ex amor. Não foi ex. Foi o nunca amor.
Eu não ligo.
Às vezes falo brincando que sou uma boa atriz. Talvez isso seja verdade.
Hoje escutei um trovão, e fiquei na janela de novo.
O verão está chegando.
Eu sinto o cheiro de chuva e as vozes gritando no campo de futebol.
Eu quero sentar no concreto e tomar chuva, não quero que nenhum extraterreste venha me pegar.
Vou voltar para a janela.
Sempre ficava acordada de madrugada no verão.
Ficava na janela, eu e as estrelas, esperando um ser de outro planeta me levar.
Minha mãe me perguntou quanto tempo eu namorei; ela achava que havia sido coisa de um mês.
Foram quase seis.
Quem dera fosse um mês.
Não estou sendo sentimental. Não estou nostalgiando aquele tempo de escola,
Não estou com saudades do ex amor. Não foi ex. Foi o nunca amor.
Eu não ligo.
Às vezes falo brincando que sou uma boa atriz. Talvez isso seja verdade.
Hoje escutei um trovão, e fiquei na janela de novo.
O verão está chegando.
Eu sinto o cheiro de chuva e as vozes gritando no campo de futebol.
Eu quero sentar no concreto e tomar chuva, não quero que nenhum extraterreste venha me pegar.
Vou voltar para a janela.
1h35
Eu tô vazia
Eu tô sozinha
Eu tô perdida
Eu tô repetindo frases pra fazer isso parecer uma merda literária
Quando eu não tenho muito tempo pra escrever eu fecho meus olhos no teclado
Porque meus cadernos estão me esperando, olha o ritmo dessa frequencia que me consome que me inventa uma palavra nova que não devia ser dita
Eu acho que preciso de remédios
Eu não sei mais do que eu preciso
Eu não sei mais o que repetir pra você
Eu não quero fazer mais nada
eu
eu
eu
Eu
era ASSIM que o tempo corria antes
Deixa eu completar o vazio com sono, pelo menos
Por que não consigo mais dormir?
Não consigo fazer mais nada que não seja mecanizado
Eu tô precisando de novos ares
Eu tenho que parar de culpar todo mundo pela minha própria miséria
Eu não canso de desejar a infelicidade pra algumas pessoas
Eu não canso de consumir para evitar ficar inerte
Amanhã vou levar um livro pro trabalho.
Eu tô sozinha
Eu tô perdida
Eu tô repetindo frases pra fazer isso parecer uma merda literária
Quando eu não tenho muito tempo pra escrever eu fecho meus olhos no teclado
Porque meus cadernos estão me esperando, olha o ritmo dessa frequencia que me consome que me inventa uma palavra nova que não devia ser dita
Eu acho que preciso de remédios
Eu não sei mais do que eu preciso
Eu não sei mais o que repetir pra você
Eu não quero fazer mais nada
eu
eu
eu
Eu
era ASSIM que o tempo corria antes
Deixa eu completar o vazio com sono, pelo menos
Por que não consigo mais dormir?
Não consigo fazer mais nada que não seja mecanizado
Eu tô precisando de novos ares
Eu tenho que parar de culpar todo mundo pela minha própria miséria
Eu não canso de desejar a infelicidade pra algumas pessoas
Eu não canso de consumir para evitar ficar inerte
Amanhã vou levar um livro pro trabalho.
Alguém: Então você gosta mesmo dele?
Alguém que ele não pode saber quem é: (Eu o amo.)
Sim.
Alguém: Por que?
Alguém que ele não pode saber quem é: (Meu passatempo é recolher suas expressões e guardá-las numa caixinha. Quando sinto sua falta, tento jogá-las fora, mas ela é tão grande que não cabe no cesto do lixo. Odeio o olhar das pessoas. Mas posso passar a vida inteira olhando para suas orbes. O sorriso dele; é o único que me deixa plenamente e sinceramente feliz. Eu amo quando ele premedita minhas ações e pensamentos, porque, eu mesma, não sei fazer isso. Ele veio com meu manual de instruções, como se eu fosse um produto destinado somente para um consumidor. E ele me consome, me consome tanto, que chego a ficar em trapos, mesmo quando eu finjo que ele não me conhece. Ele é quem me faz procurar seu número nas teclas do telefone, apenas para ouvir o seu sorriso. E com quem eu espero ficar pra sempre e sempre e sempre)
Não sei.
Alguém que ele não pode saber quem é: (Eu o amo.)
Sim.
Alguém: Por que?
Alguém que ele não pode saber quem é: (Meu passatempo é recolher suas expressões e guardá-las numa caixinha. Quando sinto sua falta, tento jogá-las fora, mas ela é tão grande que não cabe no cesto do lixo. Odeio o olhar das pessoas. Mas posso passar a vida inteira olhando para suas orbes. O sorriso dele; é o único que me deixa plenamente e sinceramente feliz. Eu amo quando ele premedita minhas ações e pensamentos, porque, eu mesma, não sei fazer isso. Ele veio com meu manual de instruções, como se eu fosse um produto destinado somente para um consumidor. E ele me consome, me consome tanto, que chego a ficar em trapos, mesmo quando eu finjo que ele não me conhece. Ele é quem me faz procurar seu número nas teclas do telefone, apenas para ouvir o seu sorriso. E com quem eu espero ficar pra sempre e sempre e sempre)
Não sei.
Eu não consigo racionalizar minhas emoções,
Acho que é por isso que eu só vomito palavras, não faço filosofias.
Elas ficam guardadas aqui na minha cabeça, rodando em forma definida, como se fossem moscas atraídas pela comida.
Ás vezes eu escuto uma música, ás vezes olho para uma imagem por muito, muito tempo.
As palavras, porém, me acompanham o tempo todo.
No meu mundinho particular, elas estão sempre latejando, implorando pra sair.
Acho que sou muito cruel por deixar elas presas aqui.
De tempos em tempos, deixo umas escaparem~ Sabe, pra ficarem registradas.
Ainda assim, muitas fogem e eu não consigo mais encontrá-las.
Conclusão, preciso voltar a escrever.
eu não deveria me importar com,
você escutando essas letras de músicas tristes
cantando elas com sua voz craquelada, com suas unhas afiadas na garganta
(porque é só você mesmo que se prende)
eu não deveria, porque
você com certeza não aprende nada com elas, e provavelmente nunca vai
e eu nem deveria me preocupar com seu choro,
velando uma morta desconhecida,
uma que não montou na sua bike, nem transou contigo na luz da manhã
não era ela, não é por ela que você chora.
talvez todos nós devêssemos fazer um enterro digno para ela,
só não sei se ela iria preferir rosas vermelhas ou azuis.
um enterro na sua casa, um enterro no seu peito,
enquanto eu vou flutuando pelo rio sujo, vendo o fogo queimar meu corpo imundo
talvez um dia eu pare de chorar por ela também.
quem sabe, algum dia, eu consiga chegar lá e sim, virar ela.
mas eu vou estar velha, e o vermes vão estar consumindo cada pedaço da minha carne até deixar só a cabeça,
dura,
que vai bater na porta do caixão quando eu der um tranco de tanto susto
de ter virado ela.
você escutando essas letras de músicas tristes
cantando elas com sua voz craquelada, com suas unhas afiadas na garganta
(porque é só você mesmo que se prende)
eu não deveria, porque
você com certeza não aprende nada com elas, e provavelmente nunca vai
e eu nem deveria me preocupar com seu choro,
velando uma morta desconhecida,
uma que não montou na sua bike, nem transou contigo na luz da manhã
não era ela, não é por ela que você chora.
talvez todos nós devêssemos fazer um enterro digno para ela,
só não sei se ela iria preferir rosas vermelhas ou azuis.
um enterro na sua casa, um enterro no seu peito,
enquanto eu vou flutuando pelo rio sujo, vendo o fogo queimar meu corpo imundo
talvez um dia eu pare de chorar por ela também.
quem sabe, algum dia, eu consiga chegar lá e sim, virar ela.
mas eu vou estar velha, e o vermes vão estar consumindo cada pedaço da minha carne até deixar só a cabeça,
dura,
que vai bater na porta do caixão quando eu der um tranco de tanto susto
de ter virado ela.
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